Nos últimos anos, observei uma mudança radical no padrão alimentar brasileiro. Em consultório, sempre busquei entender como as escolhas alimentares impactam a saúde dos meus pacientes. Poucos temas são tão atuais quanto a presença dos ultraprocessados na alimentação do brasileiro, e a necessidade dos nutricionistas de fazer uma avaliação crítica desse consumo ficou ainda mais evidente.

O cenário do consumo de ultraprocessados no Brasil

Estudos nacionais revelam um avanço constante dos ultraprocessados nas prateleiras e mesas brasileiras. Segundo relatório do Ministério da Saúde, Anvisa e Opas, entre novembro de 2020 e novembro de 2024, 62% dos quase 39 mil novos alimentos e bebidas embalados lançados no país eram ultraprocessados. Apenas 18,4% pertenciam ao grupo dos alimentos in natura ou minimamente processados.

Em consultório, noto que essa oferta influencia diretamente o comportamento alimentar dos pacientes. O consumo de ultraprocessados no Brasil saiu de 12,6% (2002–2003) para 18,4% (2017–2018), como aponta notícia baseada em dados do IBGE e INCA. Nos relatos dos meus próprios pacientes, a praticidade e o hábito de consumir tais produtos se repetem.

“Ultraprocessados são práticos, mas cobram um preço alto para a saúde ao longo do tempo.”

O que caracteriza um alimento ultraprocessado?

Sempre insisto que ultraprocessado não é só fast-food ou refrigerante. Muitos pacientes se surpreendem ao descobrir isso. O conceito envolve alimentos industrializados que passam por diversas etapas de processamento e têm muitas substâncias que não usamos em nossas receitas do dia a dia, como aditivos, corantes, emulsificantes e grandes quantidades de açúcares, gorduras e sal.

Ultraprocessados raramente mantêm a estrutura ou o sabor original do alimento.

A classificação NOVA, amplamente adotada por nutricionistas, é uma ótima ferramenta para identificar esses alimentos. Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Refrigerantes, sucos artificiais e refrescos industrializados
  • Biscoitos recheados, bolachas doces e salgadas
  • Pães de forma industrializados
  • Salgadinhos de pacote e snacks
  • Embutidos, como salsicha, presunto e peito de peru
  • Produtos congelados (pizzas, nuggets, lasanhas prontas)
  • Doces industrializados, balas e chocolates processados

Como faço a avaliação do consumo de ultraprocessados?

Com as novas rotinas e o acesso massivo a produtos industrializados, percebo que indagar o paciente sobre esse tema exige sensibilidade. Gosto de iniciar a consulta entendendo o perfil alimentar e mapeando a frequência e o contexto em que esses alimentos aparecem.

A escuta ativa permite identificar não só o que o paciente consome, mas também os motivos por trás da escolha.

Algumas estratégias que uso e recomendo:

  • Registro alimentar de três dias (incluindo um final de semana)
  • Lembrete 24 horas, focando especialmente em lanches rápidos e refeições fora de casa
  • Análise do padrão de compra de alimentos: o que costuma ir para a dispensa?
  • Investigação sobre hábitos na família, especialmente quando há crianças ou idosos no domicílio
  • Avaliação de rótulos durante a consulta, ensinando o paciente a identificar aditivos e ingredientes “escondidos”

Para facilitar esse trabalho, recursos como a plataforma Nutrio tornam a organização do histórico alimentar e a avaliação antropométrica muito mais prática, permitindo cruzar informações sobre hábitos alimentares e impactos nutricionais diretos em cada consulta.

Nutricionista analisando plano alimentar com paciente em seu consultório

Impactos dos ultraprocessados na saúde do paciente

A literatura científica, assim como orientações oficiais, já demonstraram associação entre consumo de ultraprocessados e doenças crônicas graves. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), uma alimentação inadequada responde por cerca de 20% dos casos de câncer no Brasil. O aumento dos ultraprocessados contribui significativamente para esse cenário, devido ao excesso de açúcares, gorduras trans, corantes e aditivos.

Entre outros efeitos que já identifiquei na prática clínica:

  • Obesidade, especialmente em crianças e adolescentes
  • Dislipidemias, resistência à insulina e diabetes tipo 2
  • Doenças cardiovasculares e hipertensão arterial
  • Quadros inflamatórios sistêmicos
  • Déficits nutricionais (mesmo em dietas hipercalóricas)
  • Agravamento do risco de câncer, como mostram os dados do INCA e IBGE

“Quanto maior o consumo de ultraprocessados, pior tende a ser o perfil metabólico e nutricional.”

Ferramentas que facilitam o acompanhamento nutricional

Por mais experiência que tenhamos, confesso que lidar com grandes volumes de informações pode ser desafiador. Ferramentas digitais, como a Nutrio, agilizam a transcrição da anamnese, o cálculo de necessidades energéticas e até a geração automática de planos alimentares ajustados ao consumo do paciente.

Integrar o uso de softwares modernos proporciona clareza na avaliação e melhora a adesão do paciente.

No meu trabalho, também faço uso de tabelas de composição de alimentos, que ajudam muito na comparação da densidade nutritiva entre produtos in natura e ultraprocessados. Indico sempre a leitura sobre como escolher e usar essas tabelas na prática clínica.

Para quem pretende personalizar o atendimento, recursos como análise automática de exames e agenda integrada permitem mais tempo para escuta do paciente. Assim, a orientação se torna menos automatizada e mais humana, percebo um impacto direto sobre a confiança e motivação do paciente nessas situações.

Prateleira de supermercado com alimentos ultraprocessados expostos

Estratégias para redução e reeducação alimentar

Defendo sempre que a atuação do nutricionista deve ir além de recomendar restrições. Precisamos construir, junto ao paciente, caminhos reais para substituição dos ultraprocessados. Em minha vivência, algumas estratégias funcionaram especialmente bem:

  • Estudo conjunto dos rótulos durante a consulta (identificação de aditivos nocivos)
  • Proposta de trocas simples no cotidiano, como preparar lanches com ingredientes in natura
  • Criação de um ambiente alimentar mais saudável, reduzindo a compra por impulso
  • Incentivo a preparos culinários em casa, resgatando receitas tradicionais
  • Adaptação da orientação para diferentes faixas etárias, usando linguagem acessível

A redução do consumo de ultraprocessados representa um passo real para a melhoria da saúde pública.

Sempre oriento meus colegas a acompanharem conteúdos sobre estratégias práticas para como melhorar a adesão ao plano alimentar e para quem atende pacientes com condições específicas, vale muito ler o guia prático sobre prescrição de dietas no contexto de doenças crônicas.

Adaptação da avaliação para casos especiais

Atendendo idosos, gestantes ou pacientes em dietas restritivas, percebi que a estratégia precisa ser ainda mais personalizada. O uso de ferramentas como a Nutrio ajuda a transformar avaliações antropométricas em dados visuais de fácil interpretação. Já para aqueles que buscam alimentação vegana, a abordagem deve ser adaptada conforme os desafios do planejamento alimentar vegano no consultório.

Mudar padrões alimentares é complexo, mas com o acompanhamento continuado, recursos digitais e o diálogo permanente, o nutricionista se torna um verdadeiro agente de transformação.

Conclusão

Em minha trajetória, concluo que a avaliação do consumo de ultraprocessados é um dos elementos centrais para o nutricionista que deseja transformar realidades de saúde. Mais do que identificar quantidades, trata-se de resgatar o significado da comida, promovendo consciência sobre escolhas alimentares.

Ferramentas como a Nutrio vieram para simplificar um processo fundamental: ouvir, registrar, analisar e propor dentro da individualidade do paciente. Se você busca inovar no atendimento, convido você a conhecer mais sobre a Nutrio e incluir a tecnologia como aliada para transformar o cuidado nutricional.

Perguntas frequentes sobre ultraprocessados

O que são alimentos ultraprocessados?

Alimentos ultraprocessados são formulações industriais, geralmente feitas com derivados de alimentos e aditivos, como corantes, realçadores de sabor, conservantes e emulsificantes. São produtos prontos para consumo ou para aquecimento e possuem ingredientes que raramente ou nunca usamos em casa, o que os diferencia dos alimentos in natura ou minimamente processados.

Como identificar um ultraprocessado no rótulo?

Para identificar um ultraprocessado, observe a lista de ingredientes. Quando houver muitos nomes desconhecidos, substâncias de uso exclusivamente industrial (como gordura vegetal hidrogenada, xarope de glicose, corantes, estabilizantes, aromatizantes artificiais), é sinal de que se trata de um ultraprocessado.

Por que evitar o consumo de ultraprocessados?

O consumo frequente desses produtos está associado ao aumento de doenças crônicas, como obesidade, diabetes, hipertensão e até câncer. Eles são pobres em nutrientes e ricos em açúcares, gorduras ruins e aditivos, contribuindo para desequilíbrios no organismo e piora dos indicadores metabólicos.

Quais os riscos dos ultraprocessados para a saúde?

Esses alimentos aumentam o risco de obesidade, doenças cardiovasculares, desregulação do metabolismo, câncer e quadros inflamatórios. Como mostrado pelo Instituto Nacional do Câncer e outros estudos nacionais, o consumo elevado desses produtos tem relação direta com o crescimento dos casos de doenças crônicas no Brasil.

Existe um limite seguro de consumo?

Não existe um valor definido como “seguro” para consumo de ultraprocessados. O ideal é restringir ao máximo e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como orientam diretrizes nacionais e internacionais. Sempre que possível, reduza a frequência e busque alternativas caseiras ou menos industrializadas.

Automatizando processos e simplificando a rotina dos nutricionistas, transformando dados precisos em decisões estratégicas para um cuidado prático e eficaz.

Nutrio © 2025. Todos os direitos reservados.

WhatsApp