Transtornos alimentares são um dos grandes desafios da vida moderna. Sempre me impressiono com o quanto eles estão presentes em consultório e, muitas vezes, passam despercebidos. Afinal, as consequências vão muito além da alimentação: podem impactar a saúde física, emocional e as relações interpessoais.

Estimativas voltadas ao público brasileiro mostram que quase 70 milhões de pessoas no mundo sofrem com algum tipo de transtorno alimentar, incluindo quadros como anorexia, bulimia e compulsão alimentar, segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria. Saber identificar esses sinais precocemente pode salvar a saúde, e vidas.

Sinais físicos mais comuns

Em minha prática, alguns sinais físicos de transtornos alimentares são claros para quem acompanha pacientes de perto. Nem sempre, no entanto, as pessoas que convivem percebem logo de início. O corpo emite alertas que, se observados, podem prevenir complicações sérias:

  • Perda ou ganho de peso abrupto e sem explicação médica plausível;
  • Mudanças acentuadas na aparência da pele, unhas e cabelos (quebra, queda ou ressecamento);
  • Sensação de cansaço extremo, tontura frequente ou desmaios recorrentes;
  • Distúrbios gastrointestinais constantes, como prisão de ventre ou refluxo;
  • Indícios de vômito frequente, como manchas nos dentes ou nas mãos.

No atendimento com o uso da Nutrio, muitas vezes percebo que a análise frequente de exames e o acompanhamento dos dados antropométricos ajudam bastante na identificação precoce desses indícios.

Nutricionista avaliando paciente adulto com fita métrica na cintura

Alterações no comportamento alimentar

Nem sempre o transtorno alimentar está às claras. Aliás, os sinais de alerta podem ser camuflados em atitudes que, de longe, parecem inofensivas. Mudanças bruscas no comportamento alimentar devem ser sempre observadas com atenção.

  • Preocupação exagerada com calorias, restrição severa de grupos alimentares ou regimes extremos;
  • Negação ou relutância em comer em público;
  • Episódios frequentes de comer em excesso, geralmente acompanhados de sentimento de culpa ou vergonha;
  • Utilização de laxantes, diuréticos ou realização de atividade física excessiva após episódios de compulsão;
  • Rotina alimentar muito rígida;
  • Desenvolvimento de rituais durante as refeições, como cortar os alimentos excessivamente pequenos ou mastigar por tempo demais.

Eu já atendi diversos adultos que, ao falar do próprio comportamento alimentar, se surpreendiam ao relatar mudanças recentes que nunca tinham relacionado a um transtorno.

Consequências psicológicas e emocionais

Pouco se fala sobre o sofrimento interno de quem vive com transtornos alimentares. Vejo, no dia a dia do consultório, como a própria relação com o corpo e a comida pode virar uma prisão. Algumas pistas emocionais se destacam:

  • Oscilações de humor intensas, ansiedade ou irritabilidade;
  • Baixa autoestima ou autodepreciação constante;
  • Falta de motivação e dificuldade de concentração;
  • Isolamento social repentino ou progressivo;
  • Sentimento profundo de culpa ou vergonha ligado à alimentação ou imagem corporal;
  • Pensamentos obsessivos sobre peso, corpo e comida.

O sofrimento não é sempre visível, mas deixa marcas profundas.

Segundo revisão sistemática internacional, cerca de 19% de mulheres e 14% de homens apresentam algum transtorno alimentar, sendo que até 30% dos pacientes com anorexia nervosa são homens. Esse dado sempre me leva a reforçar: transtornos alimentares não têm gênero, nem idade definida.

Fatores de risco e grupos mais afetados

No início da carreira, eu achava que apenas jovens mulheres eram acometidas. Mas, com o tempo, percebi que adultos, homens e até pessoas idosas também sofrem. Alguns fatores de risco que percebi ao longo dos anos:

  • Histórico de dietas restritivas e efeito sanfona;
  • Pressão estética em ambientes familiares ou profissionais;
  • Histórico de bullying ou críticas sobre aparência;
  • Quadros de ansiedade, depressão ou outros transtornos psiquiátricos;
  • Dificuldade de adesão a planos alimentares saudáveis.

Inclusive, dados recentes do Ministério da Saúde mostram que quase 51% dos adultos brasileiros têm sobrepeso e quase 19% estão obesos, indicando que os transtornos alimentares, como o comer compulsivo, são mais frequentes do que se imagina.

Diferença entre hábitos alimentares e transtorno

Na rotina do consultório vejo muita dúvida entre o que seria um hábito alimentar inadequado e o que já configura um transtorno. A linha pode parecer tênue. Para mim, o principal diferencial está no sofrimento e prejuízo funcional que o comportamento alimentar provoca na vida da pessoa.

Com isso, volto à importância de anamnese detalhada, como a que se pode transcrever por voz na Nutrio: pequenas pistas podem revelar grandes questões. Se o comportamento alimentar começa a interferir nas relações, autoestima, saúde física ou no desempenho profissional, já encontramos sinais de alerta para buscar auxílio profissional.

Dois adultos em uma cozinha, um demonstrando hábitos saudáveis e outro sinais de restrição extrema alimentando-se

Quando desconfiar e buscar ajuda?

Aprendi que quanto mais cedo o suporte é buscado, melhor a chance de cuidado efetivo. Por isso, compartilho alguns sinais que me fazem recomendar avaliação multiprofissional:

  • Modificações alimentares que impactam negativamente o cotidiano, mesmo sem motivo clínico declarado;
  • Tentativas frequentes e frustradas de emagrecer, mesmo quando não há indicação médica;
  • Comportamentos compensatórios após comer demais (vômitos, jejuns prolongados, exercícios excessivos);
  • Autoimagem distorcida, com emagrecimento aparente, mas insatisfação persistente;
  • Jejuns extremos ou rituais alimentares rígidos e repetitivos.

Considero importante também citar estratégias de adesão ao plano alimentar já comprovadas, que ajudam a perceber se a dificuldade do paciente é de adesão simples ou se há um transtorno oculto. Para nutricionistas, a nutrição baseada em evidências e um acompanhamento próximo permitem intervenções ainda mais seguras e assertivas.

O papel do nutricionista e como a Nutrio pode ajudar

Eu costumo indicar que a experiência do atendimento faz diferença na vida dos pacientes adultos. Ao identificar sinais precoces, é possível orientar, encaminhar para outros profissionais da saúde e acompanhar a evolução. O Nutrio, por exemplo, permite organizar avaliações antropométricas, analisar exames de forma automatizada e transcrever anamneses por voz, agilizando todo o processo para o profissional e tornando o acompanhamento mais detalhado e humano.

Outro ponto valioso é a percepção da baixa adesão ao tratamento nutricional. Muitas vezes, é nesse momento que um transtorno alimentar se revela. Por isso, manter registros, realizar retornos regulares, como proponho em consultas de retorno para avaliar resultados e novas metas —, e usar ferramentas digitais ajuda tanto quem atende quanto quem é atendido.

Conclusão

Identificar transtornos alimentares em adultos exige olhar atento, acolhimento e conhecimento técnico. O segredo está em observar o corpo, o comportamento à mesa e o sofrimento emocional. Com ferramentas modernas como o Nutrio, a análise ágil de dados, anamnese e acompanhamento se tornam mais práticos, e, acima de tudo, mais efetivos para apoiar quem precisa.

Se você quer transformar o atendimento nutricional e garantir o melhor suporte a casos complexos como os transtornos alimentares, te convido a conhecer o Nutrio e as vantagens de aplicar tecnologia na rotina clínica. Os resultados, posso garantir, aparecem não só nos números, mas na qualidade de vida dos pacientes e profissionais.

Perguntas frequentes sobre transtornos alimentares em adultos

O que são transtornos alimentares em adultos?

Transtornos alimentares são doenças de ordem psiquiátrica que afetam o relacionamento do indivíduo com a comida, o corpo e a imagem corporal. Entre os tipos mais conhecidos estão a anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno de compulsão alimentar, além de outros quadros. Eles são caracterizados por padrões alimentares disfuncionais, impacto emocional e físico e, muitas vezes, prejuízos nas relações sociais e profissionais.

Quais os sinais mais comuns nos adultos?

Os principais sinais vão desde alterações bruscas de peso sem explicação clínica, mudanças na pele e cabelo, obsessão por peso/calorias, uso excessivo de estratégias compensatórias (vômitos, laxantes, atividade física exagerada), além de sofrimento emocional grave, como culpa, vergonha, isolamento social e distorção da própria imagem.

Como ajudar alguém com transtorno alimentar?

Acolha com empatia e sem julgamentos. Oriente a buscar ajuda profissional, nutricionistas, psicólogos e médicos são indispensáveis no tratamento. Se possível, encoraje a conversa aberta e ofereça suporte constante durante todo o processo.

Onde buscar tratamento especializado?

O tratamento de transtornos alimentares deve ser multiprofissional. Pode-se buscar serviços públicos de saúde, clínicas especializadas e profissionais credenciados, sempre buscando acompanhamento qualificado. Plataformas como a Nutrio facilitam o trabalho dos nutricionistas, tornando o tratamento mais seguro e organizado.

Transtornos alimentares têm cura?

Com acompanhamento adequado, muitos casos podem ser revertidos e o paciente pode voltar a ter uma relação positiva com a comida e o corpo. Porém, a recuperação é um processo, pode ser longo e exige envolvimento de profissionais e rede de apoio.

Automatizando processos e simplificando a rotina dos nutricionistas, transformando dados precisos em decisões estratégicas para um cuidado prático e eficaz.

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