Ao longo da minha carreira, percebi como a escola pode ser o ambiente ideal para criar bons hábitos alimentares desde cedo. Sempre que converso com pais e professores, o tema “educação nutricional” surge como uma luz de esperança para evitar doenças, melhorar a atenção em aula e formar crianças mais saudáveis e conscientes do próprio corpo.
Por outro lado, observo o desafio: por onde começar, o que priorizar e como engajar as crianças em meio a tantos estímulos? Ao abordar esse tema, preciso pensar tanto em resultados práticos quanto em ideias acessíveis e lúdicas, incluindo soluções inovadoras como a plataforma Nutrio, que apoia profissionais de nutrição e estudantes a organizarem seus planos de atendimento e acompanhamento infantil.
Por que a educação nutricional precisa estar na escola?
Os dados mais recentes confirmam: a escola é o espaço onde as crianças passam grande parte do tempo e formam suas bases para escolhas futuras. Segundo avaliação feita pela Divisão de Nutrição Escolar de Ribeirão Preto em 2024, de 7.505 alunos avaliados entre 0 e 14 anos, 36% estavam com excesso de peso e apenas 59% tinham estado nutricional adequado para a idade.
Não é só em Ribeirão Preto. Um estudo em Pelotas (RS) também mostrou queda na proporção de crianças com peso saudável e aumento nos casos de excesso de peso entre 2004 e 2018. Esses números me motivam a acreditar que discutir o tema nas escolas é uma necessidade real.
O que a criança aprende sobre alimentação na escola, leva para a vida.
Passos fundamentais para inserir a educação nutricional
Quando penso em como começar, gosto de seguir alguns passos bem objetivos. Isso facilita tanto para quem está planejando o projeto quanto para quem vai colocá-lo em prática:
- Diagnóstico da turma: Antes de iniciar qualquer ação, é útil entender o perfil nutricional dos alunos. Um bom ponto de partida pode ser um questionário simples sobre hábitos alimentares ou até a colaboração de um profissional de nutrição. O Nutrio oferece ferramentas que tornam esse diagnóstico mais ágil, além de permitir o registro evolutivo das crianças ao longo do tempo.
- Formação dos educadores: Professores precisam de conteúdos claros, diretos e exemplos de atividades que possam adaptar facilmente à rotina. Vale investir em treinamentos rápidos ou materiais de apoio, além de trazer o nutricionista para reuniões pedagógicas.
- Integração da alimentação ao currículo: Incorporar temas alimentares em matérias como ciências, matemática (contando calorias, por exemplo), português (leitura de rótulos) e artes (pinturas de alimentos saudáveis).
- Envolvimento da comunidade escolar: Famílias precisam ser convidadas a participar. Grupos de discussão, envio de receitas e dicas para casa fazem toda a diferença. Vi muita escola conseguir bons resultados ao fortalecer esse vínculo.
Exemplos de atividades para educação nutricional
Procuro sugerir atividades vivas e participativas. Vejo que, quando as crianças são protagonistas do processo, aprendem mais e contagiam a família. Algumas das experiências mais positivas que já presenciei fazem parte do seguinte repertório:
- Oficinas culinárias: Preparar receitas simples, como saladas de frutas, permite que a criança toque, sinta o cheiro e prove novos alimentos. Busco incluir opções locais e sazonais, o que também ajuda a discutir sustentabilidade.
- Horta escolar: Cuidar da terra, plantar e colher. O ciclo dos alimentos passa a ter outro sentido. O envolvimento direto com a horta faz com que muitos alunos se interessem por verduras antes rejeitadas.
- Jogos educativos: Jogos de memória, adivinha com olhos vendados para identificação de frutas pelo sabor e cheiro, e até gincanas relacionadas à alimentação.
- Exposições e feiras: Montar murais e exposições sobre grupos alimentares e a diferença entre alimentos in natura, processados e ultraprocessados. Isso chama atenção para os perigos do consumo exagerado desses últimos.
- Palestras e rodas de conversa: Uma vez por mês, trazer um nutricionista para falar e tirar dúvidas de alunos e professores. Neste momento, plataformas como o Nutrio auxiliam o profissional a apresentar conteúdos claros e planejamento de acompanhamento.

Como medir o progresso?
Muitos me perguntam como acompanhar se as ações estão realmente gerando mudanças nos hábitos. A avaliação pode ser feita de várias formas, sem precisar ser burocrática:
- Observação direta: Professores podem registrar a aceitação de novos alimentos durante refeições na escola.
- Atividades de registro: Incentivar desenhos do que comeram ou diários alimentares simples.
- Pesquisas rápidas: Realizar, periodicamente, perguntas sobre o que as crianças aprenderam e mudaram em casa.
- Acompanhamento antropométrico: Quando possível, contar com o suporte de nutricionistas para medir peso e altura, acompanhando parâmetros conforme diretrizes. O roteiro de perguntas na anamnese nutricional pediátrica do Nutrio é ótimo para orientar esse acompanhamento.
Esse acompanhamento pode ser aprofundado de maneira prática com soluções digitais. Ferramentas como Nutrio, por exemplo, oferecem maneiras fáceis de registrar avaliações e manter o histórico evolutivo da turma, agregando valor ao serviço do profissional e ajudando diretores a tomar decisões baseadas em dados.

Superando desafios e promovendo adesão
Nem sempre é simples mudar rotinas alimentares, ainda mais em um universo cheio de restrições orçamentárias e o apelo constante de ultraprocessados. Alcançar a adesão à alimentação saudável requer constância, criatividade e paciência. Compartilho algumas dicas que funcionaram comigo e que foram reforçadas por conteúdos como as estratégias comprovadas para aumentar a adesão aos planos alimentares:
- Dê o exemplo: professores e colaboradores também devem se alimentar de forma equilibrada na escola;
- Inclua todos nas discussões, inclusive os funcionários de cozinha;
- Aposte em pequenas mudanças constantes, ao invés de grandes transformações de uma só vez;
- Reconheça conquistas da turma, celebrando avanços, mesmo que pequenos.
Sei que o apoio do gestor escolar é fundamental e, quando possível, contar com um profissional dedicado à nutrição escolar faz grande diferença.
Dicas para manter o projeto vivo
Ter um plano é só o começo. Meus anos de experiência mostram que a motivação pode diminuir com o tempo, então é interessante incluir alguns elementos para refrescar os conteúdos:
- Traga novidades, como temas de alimentação sustentável ou uso de alimentos regionais;
- Promova concursos de receitas realizadas pelas famílias;
- Realize eventos temáticos em datas importantes, como o Dia da Alimentação Saudável;
- Faça parcerias com universidades para trazer estudantes de nutrição como monitores;
- Use recursos tecnológicos e aplicativos, como o Nutrio, que está cada vez mais alinhado às demandas pedagógicas e facilita tanto o planejamento quanto o acompanhamento do progresso.
Inserir a nutrição como prática diária também permite trabalhar competências transversais, estimulando autonomia, senso crítico e hábitos sustentáveis, pontos debatidos em artigos como nutrição na prática clínica e estratégias de personalização do processo educativo.
Conclusão
Percebo, cada vez mais, que educar para comer bem é uma construção feita aos poucos, na vivência, no diálogo e na participação ativa de toda a comunidade escolar. Trazer a educação nutricional para escolas e creches é investir na saúde do futuro. Com criatividade, atualização constante e apoio das tecnologias, como o Nutrio, formamos mais do que alunos: ajudamos a criar cidadãos saudáveis e conscientes de suas escolhas alimentares.
Se você deseja transformar o cuidado nutricional na sua escola ou consultório, conheça os recursos do Nutrio, impulsione seu trabalho e ajude a criar uma geração mais saudável. Vamos juntos multiplicar bons hábitos!
Perguntas frequentes sobre educação nutricional em escolas
O que é educação nutricional nas escolas?
Educação nutricional nas escolas é o processo de ensinar crianças e adolescentes sobre escolhas alimentares saudáveis, associando teoria à vivência prática, com o objetivo de formar hábitos duradouros e prevenir problemas de saúde relacionados à alimentação.
Como começar projetos de educação nutricional?
Começar projetos de educação nutricional pede planejamento coletivo, diagnóstico dos hábitos atuais, formação de professores e integração nas atividades do dia a dia. Parcerias com nutricionistas e ferramentas como o Nutrio ajudam muito na organização e aplicação das ações, além de proporcionar acompanhamento mais próximo dos alunos.
Quais os benefícios para as crianças?
As crianças beneficiam-se de várias formas: melhoria do estado nutricional, prevenção de obesidade e doenças crônicas, mais concentração em sala de aula, maior autonomia nas escolhas de alimentos e estímulo ao consumo de alimentos in natura, como demonstram diversos estudos recentes em escolas brasileiras.
Quais atividades práticas posso implementar?
Entre as atividades práticas destacam-se oficinas culinárias, hortas escolares, jogos educativos, feiras e exposições de alimentos, além de dinâmicas para leitura de rótulos e identificação de grupos alimentares. Adaptar essas práticas à realidade e faixa etária da turma faz toda a diferença.
Onde encontrar materiais de apoio gratuitos?
Há muitos materiais de apoio em órgãos públicos de saúde, universidades, sites de nutricionistas e também em plataformas voltadas ao profissional de nutrição, como o Nutrio, que oferece conteúdos específicos para capacitação e projetos educativos em escolas.