Quando comecei a receber pacientes adeptos do jejum intermitente, percebi que a suplementação era uma dúvida constante. No consultório, esse tema ganhou espaço nos últimos anos – e com razão: além de dúvidas sobre segurança, muitos tinham objetivos bem específicos, como otimizar a composição corporal ou garantir o aporte nutricional durante longos períodos sem ingestão de alimentos. Compartilho aqui o que aprendi e aplico em minha prática, usando recursos da Nutrio para uma análise eficaz e individualizada.
O jejum intermitente na prática clínica
O jejum intermitente consiste, basicamente, na alternância entre períodos de alimentação e de abstinência calórica. Protocolos de 12, 16 ou até 24 horas são comuns, cada um com impactos diferentes sobre o metabolismo. O interesse quanto aos benefícios vai desde emagrecimento até controle metabólico e melhora do perfil lipídico, conforme evidências científicas mostram – como o estudo registrado na REBEC que identificou melhorias no perfil lipídico e glicêmico em quem adota esse padrão alimentar (estudo registrado na REBEC).
Entretanto, alguns cuidados são necessários. Uma pesquisa da Universidade Federal da Paraíba, divulgada pela CAPES, sinaliza que jejum intermitente pode provocar efeitos adversos, inclusive para células cerebrais e intestinais (pesquisa da UFPB via CAPES). Esse tipo de informação me fez perceber que, ao abordar a suplementação nesses pacientes, o olhar deve ir além da dieta: envolve saúde integral.
Por que considerar suplementação no jejum intermitente?
Em geral, a dieta deve suprir todas as necessidades nutricionais do indivíduo, mas nem sempre isso é possível no jejum intermitente. Motivos mais comuns que observo para indicar suplementação:
- Dificuldade em atingir aporte proteico ou vitamínico devido ao pequeno período de alimentação.
- Prática de atividade física intensa durante a janela de jejum.
- Deficiências nutricionais já diagnosticadas.
Segundo pesquisa realizada em Chapecó/SC, mulheres que fizeram jejum intermitente por 90 dias tiveram melhora da autoestima e redução da massa corporal (pesquisa de Chapecó/SC). Entretanto, elas precisaram de apoio nutricional rigoroso. Isso mostra a importância de avaliar caso a caso.
Como estruturar a abordagem nutricional e suplementar?
Nos meus atendimentos, costumo seguir uma linha de raciocínio para definir se a suplementação é indicada, qual o tipo, a dose e, principalmente, o horário ideal de uso.
- Mapeamento do perfil do paciente A avaliação começa com uma anamnese detalhada, explorando não só o histórico clínico, mas também os detalhes da rotina e do protocolo de jejum. Plataformas como a Nutrio ajudam a coletar esses dados rapidamente e com precisão, inclusive sugerindo exames para confirmar suspeitas de deficiências nutricionais.
- Análise da janela alimentar Saber exatamente quanto tempo o paciente tem para se alimentar é fundamental. Muitos relatam janelas de alimentação bastante curtas, o que compromete o aporte de micronutrientes. Nesses casos, a necessidade de um multivitamínico, por exemplo, pode se tornar clara.
- Avaliação das demandas individuais Se o paciente faz exercícios durante a fase de jejum, é preciso considerar, por exemplo, estratégias para preservação de massa muscular, como a inserção de aminoácidos essenciais na janela alimentar.
- Escolha de suplementos baseados em evidências Não existe uma “lista mágica”. Uso protocolos individualizados e recorro frequentemente ao conceito de nutrição baseada em evidências, integrando informações atualizadas para definir se há benefícios reais (nutrição baseada em evidências).
Ao aplicar esse raciocínio, consigo personalizar o planejamento do paciente e garantir resultados mais assertivos. Uma dica valiosa é integrar a prescrição do suplemento à solicitação digital e ao acompanhamento, processo que faço em poucos minutos utilizando os recursos automatizados do Nutrio.

Quais suplementos avaliar em pacientes que fazem jejum?
Os suplementos mais indicados devem ser seguros e ter embasamento científico para beneficiar o paciente nesse contexto. Com base tanto em literatura científica quanto na minha prática clínica, costumo observar os seguintes:
- Proteína em pó: Útil para atingir a meta proteica em janelas alimentares curtas, sobretudo em praticantes de musculação.
- Aminoácidos essenciais ou BCAAs: Podem ser incluídos na janela de alimentação, trazendo benefícios para recuperação muscular.
- Multivitamínicos: Quando há dificuldade de variar os alimentos e garantir o aporte completo de micronutrientes.
- Ômega-3: Potencialmente favorável ao perfil lipídico, assunto abordado em artigo no Journal of Health & Biological Sciences.
- Creatina e outros suplementos esportivos: Sobretudo quando há prática esportiva intensa, contextos em que protocolos personalizados fazem diferença, como relato em nutrição esportiva para atletas amadores.
Ressalto que outros suplementos como vitamina D e magnésio também são avaliados caso a caso, principalmente quando exames laboratoriais sugerem déficit. E a prescrição de manipulados se tornou um processo mais seguro e rastreável com plataformas digitais.
Quando e como prescrever suplementos no jejum?
Sempre que converso com um paciente sobre suplementação, busco entender hábitos, preferências e eventuais resistências. Já vi pessoas muito preocupadas com riscos, baseadas em relatos de redes sociais ou experiências negativas.
A transparência na prescrição faz toda a diferença.
E como faço na prática? Uso alguns critérios:
- Respeito ao protocolo de jejum: Evito prescrever suplementos calóricos (como shakes ou aminoácidos adoçados) durante a janela de jejum.
- Foco na adesão alimentar: Observo que pacientes que aderem bem à dieta apontam menos necessidade de suplementação. Estratégias eficazes para adesão podem ser encontradas em dicas de adesão ao plano alimentar.
- Momento para consumo: A maioria dos suplementos deve ser incluída na janela alimentar, principalmente se contêm macronutrientes ou micronutrientes que estimulam insulina ou absorção calórica.
O monitoramento é outro ponto-chave. O uso da agenda integrada no Nutrio, sincronizada ao Google Agenda, permite acompanhar de perto, reavaliando necessidades e ajustando prescrições rapidamente conforme os retornos de cada paciente.

Os desafios e o papel do acompanhamento
Percebo que o sucesso de protocolos envolvendo jejum e suplementação está diretamente ligado ao acompanhamento. A experiência com plataformas como a Nutrio, que oferece anamnese por voz e avaliação antropométrica automatizada, intensifica a rastreabilidade e a comunicação. Isso permite não só corrigir a rota, mas também garantir que o paciente se sinta ouvido e acolhido.
A individualização é a chave: nem todo paciente se adapta da mesma forma ao jejum e às suplementações.
Na minha rotina, sempre aconselho a avaliação periódica – inclusive com reavaliação de exames laboratoriais e ajustes no plano alimentar automatizado, recurso que facilita muito o controle de resultados (benefícios do plano alimentar automatizado).
Conclusão
A suplementação para pacientes que praticam jejum intermitente é uma ferramenta valiosa quando usada de forma criteriosa e individualizada. Não existe abordagem única. Cada caso exige um olhar atento, escuta ativa e acompanhamento contínuo, pontos que ferramentas como a Nutrio proporcionam de maneira prática e integrada. Se você é nutricionista ou estudante da área, conheça as funcionalidades da Nutrio para transformar seu atendimento e tornar suas decisões ainda mais seguras e personalizadas.
Perguntas frequentes sobre suplementação no jejum intermitente
Qual o melhor suplemento para jejum intermitente?
O melhor suplemento depende do perfil do paciente, dos resultados de exames e dos objetivos buscados. De modo geral, proteínas em pó, multivitamínicos, e ômega-3 são opções bastante estudadas, mas sempre recomendo avaliação individual profissional antes da escolha.
Jejum intermitente impede absorção de suplementos?
Não, o jejum em si não impede a absorção dos suplementos, desde que eles sejam ingeridos na janela alimentar. Porém, alguns nutrientes, como determinadas vitaminas lipossolúveis, precisam ser consumidos junto com alimentos fonte de gordura para melhor aproveitamento.
Posso tomar suplemento durante o jejum?
Via de regra, recomenda-se evitar suplementos calóricos, proteicos ou com adoçantes durante a janela de jejum, pois eles rompem o estado de abstinência calórica. Suplementos isentos de calorias (como certos eletrólitos) podem ser administrados, mas consulte sempre seu nutricionista.
Quais suplementos são indicados para jejum?
Os suplementos mais indicados são: proteínas em pó, multivitamínicos, ômega-3, creatina (dependendo da atividade física), vitamina D e, em situações específicas, aminoácidos essenciais. A escolha sempre depende das necessidades do paciente.
Como suplementar corretamente no jejum intermitente?
A suplementação correta envolve análise individual, realização de exames se possível e ajuste das doses sempre dentro da janela alimentar. O acompanhamento regular com nutricionista garante que a escolha dos suplementos seja eficaz e segura a longo prazo.